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Forte da Guerra da Restauração teve várias ocupações desde os romanos

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Pormenor do terreno
Pormenor do terreno
Representação virtual do local e vestígios de cerâmica encontrados
Vestígios de cerâmica
Momento da intervenção arqueológica
sábado, 24/01/2026
Galiza
Representação virtual do local e vestígios de cerâmica encontrados
Arqueóloga da UMinho admite que As Torres pode ter sido um local estratégico na fronteira do Minho

Um estudo arqueológico a um forte ligado à Guerra da Restauração entre Portugal e Espanha, junto ao rio Minho, revelou que o local foi um complexo defensivo de longa duração, com ocupações desde a época romana até à Idade Moderna. O trabalho incidiu em As Torres - Taborda (Tomiño), na Galiza, e foi liderado por Rebeca Blanco-Rotea (Universidade do Minho) e Xurxo Salgado (Universidade de Santiago de Compostela). A equipa vai prosseguir a pesquisa arqueológica e documental para clarificar o papel-chave do local na cronologia defensiva da fronteira e da região.

A escavação revelou uma mina romana reutilizada, sobre a qual se implantou uma possível torre ou atalaia na Baixa Idade Média, confirmada pela clara presença de cerâmicas medievais, reaproveitadas como material construtivo nas estruturas conservadas. Encontrou-se também vestígios metálicos, alguns compatíveis com uma reocupação do século XVII. Identificou-se ainda no solo uma segunda elevação fortificada, com recinto e parapeito, ligada à principal, concluindo-se que As Torres funcionava como um sistema defensivo integrado e não isolado.

"Partimos da hipótese de que havia uma estrutura militar – identificada em 2023 – associada às posições adotadas na zona pelo exército castelhano em 1666, controlando a via de passagem para Val do Rosal pela ponte medieval e para Tui, na parte final da Guerra da Restauração. Mas agora sabemos que essa elevação serviu anteriormente para uma possível atalaia ou torre baixo-medieval, o que também se vincula com o próprio topónimo do lugar", disse a arqueóloga Rebeca Blanco-Rotea.

Os trabalhos inseriram-se no projeto científico “Fortalezas da Fronteira”, que estuda o sistema defensivo da raia do Minho ao longo do tempo. A recente investigação foi executada pela Unidade de Arqueologia e pelo Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT) da UMinho, em parceria com o grupo Novos Medios da Universidade de Santiago de Compostela. Esta ação obteve financiamento da Xunta de Galicia, apoio da Direção-Geral da Juventude, com voluntários num trabalho de campo, e a colaboração da Comunidade de Montes de Taborda.
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