O
Município de Gaia, com apoio da Universidade do Minho, lançou um guia inédito para
o licenciamento digital da construção, para tornar a análise e aprovação de
projetos de obras mais transparente e eficiente. A iniciativa antecipa a obrigação
legal de, em 2030, todos os projetos de licenciamento urbanístico no país terem de apresentar os projetos de arquitetura de
acordo com a metodologia BIM (modelação da
informação na construção).
O “Manual
de Boas Práticas para o Licenciamento da Construção com BIM” está acessível
publicamente em gaiurb.pt/p/bim . A iniciativa resulta
de uma colaboração de I&D entre a empresa municipal Gaiurb – Urbanismo e
Habitação (equipa do engenheiro Marco Lima Carvalho
e da arquiteta Patrícia Baptista), o Departamento de Engenharia Civil da Escola de Engenharia da UMinho (equipa dos investigadores Miguel Azenha, José
Granja e Bruno Muniz) e a tecnológica ESRI Portugal.
A entrega
com recurso à metodologia BIM, para já opcional, permite a apreciação prévia e
validação dos projetos de forma mais ágil e clara para todos os intervenientes,
podendo também potenciar a capacidade de resposta aos desafios da inteligência
artificial na indústria da construção, diz o professor Miguel Azenha.
O novo manual
é evolutivo e aberto a contributos ou esclarecimentos, através do email
sig@gaiurb.pt . Ao ser pioneiro nesta transição, o Município de Gaia responde
ao Decreto-Lei 10/2024, promove a inovação, aposta
numa cidade mais inteligente e abre também portas a muitas autarquias.
"A
metodologia BIM é colaborativa, baseado num modelo digital que integra a informação
de formas que eram impensáveis até há alguns anos e a sua utilidade na
arquitetura/construção exprime-se de muitas maneiras”, frisa Miguel Azenha.
Porém, acrescenta o também investigador do Instituto
para a Sustentabilidade e Inovação em Engenharia de Estruturas (ISISE),
“há desafios importantes para os profissionais, pois exige novos modos de trabalhar
e colaborar, obrigando a um processo de aprendizagem; e há também um conjunto
de novas normas, como a ISO19650, às quais o tecido empresarial do setor
se está a adaptar”.