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Cientista da UMinho alerta que colonização biológica pode ameaçar outros planetas

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Foto: CBMA/Escola de Ciências da UMinho
Ilustração: Oikos
quinta-feira, 28/05/2026
Foto: CBMA/Escola de Ciências da UMinho
Ronaldo Sousa é coautor de estudo que apela à prudência na introdução de vida fora da Terra e propõe orientações de governação.

Uma equipa internacional – que inclui Ronaldo Sousa, da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) – alerta que a colonização espacial pode desencadear invasões biológicas irreversíveis, caso microrganismos, plantas ou animais introduzidos pelo ser humano escapem ao controlo. O estudo, publicado na revista Oikos, defende que esta colonização seja regulada, com princípios similares ao combate a espécies invasoras na Terra, de forma a antecipar riscos ambientais, éticos e evolutivos, evitando que passem da ficção científica para a realidade.

“A introdução de espécies da Terra em corpos extraterrestres (designada terraformação) é, por si, um evento de invasão e potencialmente imprevisível”, explica Ronaldo Sousa, investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da ECUM. “A nossa presença prolongada na Lua ou em Marte pode contribuir para a sobrevivência da humanidade a longo prazo, mas também alterar esses ecossistemas, pelo que devemos evitar criar as primeiras espécies invasoras interplanetárias e repetir erros ecológicos cometidos na Terra”, diz.


O cientista português exemplifica com a introdução nefasta de coelhos e raposas na Austrália em 1859 e, noutro caso, o acidente do módulo lunar israelita Beresheet em 2019, que terá libertado na Lua milhares de minúsculos tardígrados (também conhecidos por ursos-d’água e que são altamente resistentes à temperatura, radiação e desidratação), evidenciando falhas nas normas de proteção planetária e de missões privadas. “As missões espaciais estão no centro do debate político e científico, logo importa falarmos também da terraformação, que traz riscos profundos de desestabilização de ecossistemas emergentes”, anui.


Organismos pioneiros?


O estudo, em coautoria com Teun Everts (Bélgica) e Phillip Haubrock (Reino Unido), traz uma nova perspetiva da terraformação, encarada como uma forma de introdução biológica mediada por humanos e não apenas como engenharia planetária. Os autores defendem a rápida regulação da introdução deliberada da vida fora da Terra, para se evitar a reprodução de padrões históricos de exploração e desigualdade, bem como a criação de entidades globais de governação robustas e a colaboração interdisciplinar entre biólogos, astrobiólogos, especialistas em ética e decisores políticos.

Entre os possíveis organismos pioneiros para terraformação, o artigo analisa fungos resistentes à radiação, cianobactérias, microrganismos metanogénicos e organismos sintéticos, devido ao seu potencial de formar solos, produzir oxigénio ou alterar a atmosfera. Porém, os cientistas avisam que esses organismos podem gerar subprodutos tóxicos em ambientes extraterrestres com recursos limitados.

“A ciência das invasões fornece décadas de conhecimento sobre prevenção, deteção precoce, avaliação de impactos e gestão de espécies introduzidas”, afirma Ronaldo Sousa, salientando que estes princípios podem ajudar a monitorizar e, quando possível, tornar reversíveis eventuais processos de terraformação. O futuro desta área depende não só da tecnologia, mas também da capacidade de aprender com erros ecológicos do passado e agir de forma responsável em novos contextos planetários, acrescenta o autor, aquando da Semana sobre Espécies Invasoras.
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