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Sónia Caridade - Prémio de Mérito na Docência da UMinho 2026

Fotos
Sónia Caridade (foto: Nuno Gonçalves)
quarta-feira, 18/02/2026
Sónia Caridade (foto: Nuno Gonçalves)

“Regressar à UMinho foi como voltar a casa!”


Sónia Caridade é docente e investigadora da Escola de Psicologia da Universidade do Minho (EPsi). Fez todo o percurso de formação nesta academia e possui doutoramento em Psicologia da Justiça. A sua principal linha de investigação situa-se no âmbito da violência nas relações de intimidade, vitimação, violência doméstica e delinquência juvenil. Após 12 anos como docente noutra instituição de ensino superior, regressou à UMinho em 2021 como professora auxiliar da EPsi. Entre 2022 e 2025 foi diretora da licenciatura em Psicologia e atualmente é vice-presidente para a Educação e Inovação Pedagógica e presidente do Conselho Pedagógico da EPsi.

Destaca-se o seu envolvimento no consórcio EPIC, tendo participado na edição 0 do Percurso +Plural e assumido, nas edições seguintes, o papel de facilitadora na promoção de práticas pedagógicas inovadoras. Coordenou o projeto institucional COLAB_FeedBack – Práticas Colaborativas para Avaliação Formativa e Feedback Eficaz, constituindo uma Comunidade de Prática em Avaliação Formativa e Feedback. Paralelamente, tem estado envolvida em diversos espaços institucionais de reflexão, experimentação e disseminação de práticas de inovação pedagógica, integrando diferentes grupos de trabalho, no âmbito dos consórcios UNorte e EPIC. Recentemente, integrou a comissão do Centro IDEA-UMinho.

Ao longo da sua carreira, tem assumido um compromisso continuado com a transferência de conhecimento, a inovação aplicada e o impacto social, desenvolvendo, desde 2004, uma atividade consistente como perita forense na área da psicologia, bem como a dinamização de diversas ações de formação profissional e especializada, dirigidas a diversos públicos estratégicos (psicólogos, magistrados, auditores do Centro de Estudos Judiciários, técnicos da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, profissionais das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens e outros agentes do sistema de justiça). Recentemente, foi convidada para integrar, como especialista, o Centro Interdisciplinar de Ciências Forenses da Faculdade de Medicina do Porto. É, ainda, investigadora integrada no Centro de Investigação em Psicologia, onde coordena a linha de investigação Crime & Tech Violence Research Group.



Ser docente esteve sempre nos seus horizontes?
Diria que não. Ser docente não esteve, desde o início, nos meus horizontes. Este caminho foi-se construindo a partir das circunstâncias e escolhas feitas ao longo do meu percurso, primeiro como psicóloga e, mais tarde, como professora. Não era uma trajetória académica planeada, nem fazia parte dos sonhos de infância, mas acabou por se tornar um espaço de grande realização pessoal e profissional, no qual tenho sido muito feliz.

Formou-se na UMinho?

Sim, entrei em 1998, licenciando-me em Psicologia. Depois entrei no mercado de trabalho, estive a dar aulas numa escola profissional, estive também a trabalhar num centro de saúde. Depois surgiu a oportunidade em 2004 de fazer um doutoramento na UMinho – pelo meio constituí família e fui mãe – e terminei o doutoramento em Psicologia da Justiça em 2009. Entretanto, continuei a colaborar com a associação de psicologia da UMinho durante algum tempo como terapeuta e perita forense, na altura era designada de Unidade de Consulta em Psicologia da Justiça.

Depois esteve um tempo fora da sua universidade...

Sim, cerca de 12 anos. Tive a oportunidade de lecionar numa instituição de ensino superior privada, uma experiência muito marcante. Após esse período, surgiu a oportunidade de me candidatar a uma vaga de professora auxiliar na EPsi. Tratou-se de um concurso internacional, no qual obtive o primeiro lugar, o que representou uma enorme alegria e uma grande satisfação pessoal e profissional — foi, de certa forma, um verdadeiro “regresso a casa”.

Como foi o regresso?

Foi um momento particularmente especial e, de certa forma, transformador. O regresso à UMinho foi marcado por uma maior consciência sobre a necessidade de investir no meu desenvolvimento pedagógico. De onde eu vinha as oportunidades de formação pedagógica eram muito reduzidas. Por outro lado, cheguei à UMinho num momento de múltiplas transformações no ensino superior, em 2021, por altura de uma pandemia que mudou muito as coisas, revelando mudanças que foram muito mais estruturais do que conjunturais, ao contrário do que se pensou. Na verdade, a evolução e integração das tecnologias educativas cresceu rapidamente, principalmente agora com esta nova realidade da inteligência artificial. Tudo isto veio impactar na forma como ensinamos, avaliamos e como os estudantes integram estas tecnologias no seu processo de aprendizagem.

Hoje é mais docente que psicóloga.

É verdade, embora eu continue a manter a atividade de psicóloga na Associação de Psicologia [APsi-UMinho]. Sinto que tal é muito importante para transportar essa experiência prática para a sala de aula. A docência não pode limitar-se à transmissão de conhecimentos, pois devemos procurar promover o pensamento crítico, a participação ativa dos estudantes e, sobretudo, estabelecer a articulação entre o conhecimento científico e a realidade social.

O que significa este Prémio de Mérito na Docência, não tendo sido também algo planeado?

É muito gratificante e uma enorme honra. Recebo-o com profunda gratidão, com grande sentido de responsabilidade e muita humildade. Sei que existem colegas a quem este prémio cabia muito legitimamente, com percursos pedagógicos muito inovadores e meritórios. Entendo este prémio como a expressão de um processo coletivo, construído com o contributo de múltiplas pessoas. Em primeiro lugar, este percurso tem sido coconstruído com os meus estudantes, que diariamente me desafiam a repensar e a rever as minhas práticas pedagógicas, a inovar e a promover aprendizagens mais significativas e inclusivas. Em segundo lugar, este caminho tem sido igualmente partilhado com outros docentes, quer da minha Escola, quer de outras unidades e instituições com quem me tenho cruzado, em particular no contexto do consórcio EPIC – Excelência Pedagógica em Inovação e Cocriação, no qual tenho participado de forma muito ativa em iniciativas de formação e de partilha pedagógica. De facto, nos últimos quatro anos, tive o privilégio de contactar com muitos docentes da UMinho que desenvolvem projetos verdadeiramente notáveis no domínio da inovação e da transformação pedagógica. Nesse sentido, este reconhecimento poderia, legitimamente, caber a muitos deles.

Considera fundamental que tipo de reconhecimento exista?

Sim, sem dúvida, e que possa chegar a muitos outros colegas que partilham esta sensibilidade e preocupação com a inovação pedagógica, algo que se tem assumido. Diria que, para chegar até aqui, implicou uma disponibilidade pessoal contínua para a aprendizagem e para a experimentação pedagógica, sempre orientadas para a promoção de aprendizagens significativas, inclusivas e de qualidade junto dos estudantes. Por outro lado, foi igualmente determinante a felicidade de me cruzar com pessoas profundamente comprometidas com este processo de inovação pedagógica, cujo envolvimento, partilha e entusiasmo tornaram este caminho possível e sustentado. Este prémio é, por isso, também um reconhecimento do trabalho desenvolvido coletivamente e do compromisso da comunidade académica com a melhoria contínua do ensino praticado na UMinho.

Texto: Pedro Costa
Foto: Nuno Gonçalves

- Vídeo: YouTube
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